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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Livro 1 FASSADE Cap.6




Capítulo 6
Eine Nacht Für Die Ewigkeit
(Uma Noite Para A Eternidade)

Sharon estava parada na frente do espelho, o vestido que escolheu para aquela noite contornava seu corpo perfeitamente e a fazia parecer uma princesa, exatamente como o pai sempre fazia questão de chamá-la. O pé não doía mais, pelo oque ficou muito grata.
Lá embaixo no salão a música havia começado, podia ouvir o barulho de vozes.
O pai havia convidado metade da cidade, talvez mais. Todos estavam esperando por ela.
Finalmente havia chegado a noite que esperou a vida toda. A maioridade.
Era adulta agora para decidir sua vida por conta própria, porem se perguntava se algum dia
poderia viver sem o auxilio e os conselhos do pai.  A idéia lhe parecia impossível.
Enquanto se olhava no espelho, Sharon se deu conta de que tudo na sua vida era confuso, nada fazia muito sentido. A vida que levava embora fosse cheia de jóias e vestidos caros, era também incompleta. Sentia falta de amigos, amigos de verdade. Sentia falta de uma mãe.
Ela culpava o pai por não lhe falar sobre a mãe, mas não era culpa dele que ela tivesse morrido, as coisas simplesmente aconteceram. Foi um acidente.
Sharon suspirou, não queria chorar. Não podia borrar a maquiagem.
Passou a mão pela saia do lindo vestido e olhou em volta para o enorme quarto.
O rouxinol repousava sobre o beiral da janela. Sharon sorrio admirando-o e ali sozinha fez uma promessa para si mesma.
Tudo mudaria. iria para a faculdade, faria amigos e quem sabe talvez até se apaixonasse.
Ela sorrio para sua imagem no espelho, a idéia parecia muito atraente.
Já estava na hora de assumir o controle de sua vida, estava na hora de começar a viver por conta própria e se libertar da super proteção sufocante do pai.
- mas porque tenho tanto medo? – perguntou-se baixinho
Talvez fosse porque era normal aos seres humanos sentir medo do desconhecido.
E todo o seu futuro a partir daquela noite era desconhecido. Todos os sonhos e planos agora pertenciam ao desconhecido e Sharon pedia a Deus que tudo desse certo, que tudo se realizasse.
Uma batida na porta a pegou de surpresa
- entre – pediu com a voz rouca, a emoção tomando conta de seu corpo
O pai entrou e Sharon surpresa protestou
- nein! – disse ela contrariada – não era para o senhor me ver agora.
O conde sorrio
- verzeih mir – pediu o pai – mas algo me diz que você terá outra surpresa para mim, visto que esta eu estraguei.
Sharon sorriu olhando para o pacote em cima da cama. O vestido rosa.
- se me permite dizer, está deslumbrante – disse o conde
Sharon sorrio – dunke chön
- mas falta uma coisa – disse o pai segurando o braço de Sharon e virando-a para o espelho.
O conde então abriu uma caixinha que trazia no bolso e Sharon não podia ver oque continha.
- feche os olhos – pediu o pai
Sharon fechou os olhos com o coração pulsando e então sentiu as mãos frias do pai envolta do seu pescoço. Passou alguns segundos
- abra – a voz do pai estava rouca, emocionada.
Ao abrir os olhos Sharon sorrio entre as lágrimas que ameaçavam cair de seus olhos.
- é tão lindo – disse ela admirando a gargantilha que o pai havia colocado em seu pescoço.
Não era uma simples gargantilha, não era feita de ouro ou prata. Era feita de cetim branco ornamentado por pequenas pedras de diamantes com algumas pedras maiores caindo em pontas por seu pescoço.
- nunca vi nada assim antes – disse ela
- é uma jóia digna de uma princesa – disse o pai
Sharon se virou para o pai abraçando-o e se entregando as lágrimas.
- Shhh não quero ver você chorando querida – disse o conde – está noite é sua, quero que seja a mulher mais linda e mais feliz do mundo esta noite. Keine tränen.
Sharon suspirou e sorrio para o pai que secou suas lágrimas com os dedos.
- será que virá alguém? – perguntou Sharon pesarosa – nossa casa é tão afastada da cidade.
O conde Heiselmann sorrio – não se preocupe com isso, todos virão.
Sharon não se convenceu.
- tenho que ir – disse ele – desça quando estiver pronta.
                                                                           ***

- As terras da fazenda Kraft são extremamente férteis e preciosas – dizia o barão Brachmann, um velho gordo, bigodudo e impertinentemente intrometido – definitivamente o senhor conde fez um ótimo negócio comprando-as.
- Dunke chön – agradeceu o conde com um sorriso enquanto se deleitava com outro gole de whisky. O álcool era o único alimento humano – por assim dizer – que ainda podia apreciar.
O gosto embora um tanto diferente do que se lembrava de sua vida humana ainda era familiar e confortável. A bebida era sua aliada na maior parte do tempo, quando estar com humanos se tornava difícil e não havia maneira de escapar, o álcool ajudava a saciar a sede que sentia, sem no entanto privá-lo de seus sentidos, como acontece com os humanos.
- dessa forma – começou o coronel Reinke – o conde aumentou suas posses se tornando um dos homens mais poderosos de Berlin. Foi uma compra e tanto, não podemos deixar de parabenizá-lo – o homem levantou sua taça de champanhe – faça-mos um brinde.
- ao grande conde Heiselmann – celebrou o Sr Mohler, um grande comerciante e nome de grandes posses da cidade – cuja amizade nos é de grande valia e como tal nos alegra ver suas infinitas realizações.
O conde Heiselmann levantou seu copo brindando.
A noite estava agradável, todos os convidados compareceram, com oque o conde não se surpreendeu. Eram todos homens de negócios e como tal não poderiam perder a chance de prestigiar o homem de maior poder da cidade com suas falsas amizades e interesses.
Era um jogo interessante, quando todos achavam que poderiam de alguma forma tirar proveito do sucesso do grande conde Heiselmann enquanto fingiam ser amigos, mas a verdade é que não havia humano naquele salão que conseguisse enganá-lo.
O conde Heiselmann não se importava com as falsas lisonjas, pelo contrário achava interessante observar enquanto os homens da cidade, um a um, caiam a seus pés.
- e quando sua preciosa filha irá nos honrar com sua presença? – perguntou o barão Brachmann enquanto bebia e comia feito o porco gordo que era.
O conde Heiselmann sorrio – quando estiver pronta – disse ele, quando a vi estava em dúvida com qual vestido usar
- mulheres – rio o Sr Mohler – não importa a idade são todas iguais
- por falar em sua filha mi lorde – começou o coronel Reinke – algum pretendente a vista? Imagino que esteja interessado em casá-la com um rapaz de posses aumentando assim suas influencias.
O conde Heiselmann suspirou pesadamente. A idéia de usar Sharon para aumentar seus poderes sociais o deixava indignado, a própria idéia era absurda.
- não estou interessado em fazer negócios usando minha filha para alcançar meus objetivos – disse o conde fingindo um sorrindo e voltando a dar um gole em seu whisky.
- me perdoe se o ofendi de alguma forma – desculpou-se o coronel – apenas é de conhecimento do povo da cidade que sua filha completou a maioridade e sendo uma jovem bonita, imagino que vá querer casá-la com um bom partido.
- não vejo razões para pensar nesses assuntos – disse o conde – minha filha ainda é muito jovem e creio que nenhum jovem dessa cidade seja suficientemente bom para ela, não querendo ofender os bons jovens de Berlin. Mas minha filha foi criada por professores ingleses e franceses, é uma jovem muito inteligente e ainda tem muito para aprender, não acho que casamento seja algo com o qual devo me preocupar no memento, muito menos ela.
Os senhores se olharam e sem nenhuma sutileza, passaram para assuntos que nada mais diziam sobre Sharon.
O conde Heiselmann olhava no relógio de bolso à cada cinco minutos, a festa que preparou para a filha, embora deleitava-se em mais completo sucesso, parecia sem brilho na ausência de sua princesa. Uma musica alegre era tocada pelos músicos contratados. Não eram tão bons quanto o conde gostaria, mas confessava a si mesmo que não era justo pedir de homens de trinta e cinquenta anos de vida a perfeição que adquiriu através de séculos.
- a expectativa se torna cada vez maior devido a falta de noticias que se tem – o barão Brachmann continuava a fazer seu discurso sobre o desaparecimento dos soldados que partiram para batalha em Leipzig, porem o conde não estava mais prestando atenção. Seus olhos estavam presos a criatura divina que descia as escadas graciosamente.
Vestida com um vestido branco que descia em camadas até o chão, o cabelo preto liso caindo-lhe soltos sobre as costas, uma tiara prata sobre a testa e a gargantilha que o conde encomendou de joalheiros franceses especialmente para a filha, sua princesa mais parecia um anjo.
- se os senhores me dão licença. – o conde Heiselmann se encaminhou até o pé da escada onde postado com um dos braços as costas, como o perfeito cavalheiro que era esperou para segurar a mão da mulher de sua existência.
                                                                        ***

Sharon suspirou enquanto descia os últimos degraus e seguia de encontro com seu pai.
O conde Heiselmann estava incrivelmente elegante. Vestia calças, sapatos e colete pretos, a gravata elegante era preta também e o casaco era de um tom dourado opaco. Os cabelos estavam como de costume presos a um rabo de cavalo . era com certeza o homem mais lindo daquele salão, Sharon nunca sentiu mais orgulho do pai.
Sharon sabia que todos os olhos do salão estavam voltados para ela, a idéia a assustava um pouco mas a deixava feliz também, esperou por aquele momento por muitos anos.
Quando se aproximou do pai fez uma pequena reverencia e estendeu-lha a mão.
O conde a beijou sorrindo – Meine schöne prinzessin
Sharon se sentiu corar ao ouvir o apelido tão conhecido pelo o qual o pai a chamava. – vater.
O conde conduziu Sharon ate o meio do salão.
Uma música suave começou a tocar
- dança comigo papai? – pediu Sharon sorrindo
- será que eu poderia tirar a sua filha para uma dança, mi lorde? – Sharon se virou para avistar o jovem que tivera tal atrevimento. Não o reconheceu, embora não pudesse negar que era um homem bonito.
- Sr Milch – o pai sorrio para o jovem entregando a mão da filha ao rapaz desconhecido.
Mas não antes de sussurrar em seu ouvido – mais tarde.
Sharon sorrio enquanto o pai se afastava.
- Srta Heiselmann – disse o Sr Milch puxando-a para uma dança lenta – nunca tive a honra de conhecê-la, seu pai parece escondê-la como um tesouro, agora entendo por que.
Sharon corou e sorrio sem graça, não estava acostumada com elogios masculinos.
                                                                           ***

Tudo estava correndo perfeitamente bem, Sharon rodopiava pelo salão dançando com jovens que não conhecia, todos interessados em fazer-lhe a corte.
Não era uma idéia que agradasse o conde Heiselmann, não conseguia imaginar a idéia de alguém, quem quer que fosse, colocando as mãos em sua filha.
Sharon pertencia a ele, apenas a ele e isso ficaria claro mais cedo ou mais tarde.
No entanto naquela noite Sharon tinha o direito de se sentir como qualquer outra garota em seu baile de maioridade. A noite era dela e o conde não a privaria dos privilégios.
Todos pareciam se divertir, aproveitando a música e boa bebida e comida que eram ofertados de graça. Se havia algo que o conde Heiselmann aprendeu durante seus muitos anos de vida, era que não importava o quão ricas as pessoas podiam ser, elas jamais desperdiçavam a chance de beber e comer de graça.
O conde se arrastava de um lado para o outro do salão, tentando dar atenção a todos que chamavam por seu nome, sócios, parceiros de jogos, companheiros de caça, amigos da alta sociedade, todos estavam presentes na casa do conde naquela noite, tal como suas esposas e filhas. De fato o salão estava repleto de belas mulheres, que dançavam, riam e algumas que o admiravam secretamente.
O conde Heiselmann estava acostumado a ser admirado pelas mulheres, algo nele o fazia sedutor para as humanas e aquilo era agradável quando precisava se alimentar mas nunca sentiu qualquer vontade de estar com aquelas mulheres, nunca se sentiu capaz de viver qualquer romance que fosse, nenhuma delas era capaz de fazê-lo esquecer de sua Elizabeta e a culpa por estar com outra mulher que não fosse sua amada o atormentava sempre que cogitava a idéia ou as vezes quando cedia aos caprichos e desejos de seu corpo.
                                                                        ***

- você está tão linda querida, e a noite está muito agradável – dizia a senhorita Krumm
- obrigado – disse Sharon sorridente. A noite estava perfeita, de fato. Seu pai tinha cuidado de cada detalhe, desde a música a comida, tudo era farto e belo.
- precisa se retirar para trocar de vestido – sussurrou Anna ao seu ouvido, a puxando pelo braço.
- já? – perguntou Sharon. Anna sorrio assentindo.
Sharon subiu as escadas e adentrou em seu quarto onde o belo vestido rosa a aguardava, havia esperado a noite toda por aquele momento.
                                                                         ***

O conde Heiselmann bateu com a colher lentamente na taça duas vezes. A música cessou e todos se calaram olhando para ele. Sorrindo naturalmente - já estava acostumado a ser o centro das atenções.
- meus amigos – começou o conde subindo alguns degraus da escada para se fazer ver por todos – não posso expressar em palavras o quanto estou feliz esta noite. Como devem saber esse baile festeja a maioridade de minha filha Sharon, se me permitem dizer, o tesouro mais precioso que tenho em minha vida, o qual estimo em demasia.
Todos olhavam para o conde, alguns sorriam, outros cochichavam entre si.
- fico incrivelmente alegre que vocês estejam aqui esta noite para nos ajudar a festejar essa data tão maravilhosa. Muito obrigado a todos.
Houve um murmúrio em resposta ao qual o conde não prestou atenção.
- gostaria de fazer um brinde – o conde levantou a taça de champanhe e todos imitaram o seu gesto – que as lembranças dessa coisa sejam tão agradáveis quanto os momentos que estamos presenciando agora, que seja uma noite de eternidade.
Um turbilhão de concordância veio em resposta, e então o conde virou a taça, bebendo rapidamente e os convidados fizeram o mesmo.
- obrigado mais uma vez – o conde sorrio agora e sua voz tremeu com a emoção – agora seguindo a tradição, convidarei a vocês para acompanharem minha filha e a mim em uma valsa. Oque me dizem?
Todos assentiram e os músicos começaram a tocar uma valsa lenta.
O conde se virou e ansioso esperou que Sharon descesse e lá estava ela, vindo de encontro a ele com aquele vestido que ele mesmo havia escolhido para aquela ocasião.
E nenhum ser humano na terra podia ser mais lindo do que sua filha naquele vestido.
Não era como se fosse humana, mais parecia um anjo descendo as escadas.
O conde se posicionou com um dos braços atrás das costas e foi em direção a filha, pegando em sua mão e a beijando, como fizera antes. No entanto aquele momento era muito mais simbólico do que o anterior, aquele vestido representava a beleza interior de Sharon, representava sua inocência e amor imensos.
O conde Heiselmann a conduziu até o meio do salão em meio a aplausos dos convidados.
Sentia o coração da filha bater violentamente, sabia que estava nervosa, ele também estava.
Beijando a mão da filha mais uma vez, acomodou a sua mão em sua cintura e sorrindo para ela conduziu-a pelo salão ao som da música que se tornava cada vez mais alta.
A filha dançava graciosamente bem, era leve como uma pluma e se deixava ser conduzida pelos passos rápidos do pai que girava inúmeras vezes ao redor do salão.
Lentamente os convidados se juntaram aos dois e logo o salão estava repleto de cores que giravam ao som da musica belíssima que o próprio conde havia composto para aquele momento tão especial.
Quando a música cessou, pai e filha foram alvejados com aplausos.
O conde Heiselmann reverenciou a filha formalmente e Sharon retribuiu o reverenciando.
- obrigado por essa dança maravilhosa filha – agradeceu o conde
- ich liebe dich vater

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