Capitulo 1
Geburt
(Nascimento)
Alemanha , Berlin
Século XVIII, 1753
A chuva caia forte sobre o castelo de Neuschwanstein.
No entanto mesmo os trovões da forte tempestade não cobriam os gritos de Evelyn.
Serviçais corriam pelo castelo ajudando o Dr. Fritz no parto do tão sonhado herdeiro do poderoso Conde Heiselmann.
Era um escândalo, todos diziam, que o conde tivesse escolhido uma de suas serviçais para lhe dar a prole, ainda quando havia tantas mulheres de famílias importantes que ficariam feliz em fazer o serviço.
Mas por algum motivo o Conde escolheu Evelyn e agora seus gritos inundavam os corredores do castelo que naquelas horas noturnas era escuro e sombrio.
Porém o próprio Conde não parecia nem um pouco preocupado, ele se encontrava em seus aposentos apreciando uma taça de vinho e lendo despreocupadamente.
Quando, duas horas depois os gritos cessaram o Dr Fritz bateu na porta dos aposentos do Conde. Com um lenço secou as gotas de suor da testa, seu coração batia forte. Por algum motivo não gostava de estar no mesmo ambiente que o Conde, muito menos em sua casa.
O conde Heiselmann apareceu à porta, seu rosto pálido impassível como sempre.
Um homem gelado por dentro tanto quanto é por fora pensou o Dr Fritz.
- está feito? – perguntou o Conde.
- sim mi lorde – respondeu o doutor – não foi um parto fácil, mas tudo ocorreu muito bem.
- oque é a criança? – perguntou o Conde, sua voz fria como gelo.
O doutor Fritz não entendendo oque o Conde quis dizer franziu o semblante.
- qual o sexo da criança? – perguntou o Conde rude.
O doutor engoliu em seco – é uma menina mi lorde.
O conde fechou os olhos por alguns segundos como se estivesse tentando manter a calma. Ele se virou, foi até sua escrivaninha de onde pegou uma pequena bolsa de couro.
- aqui está seu pagamento – o conde jogou a bolsa de moedas na mão do doutor que com uma reverencia se retirou.
Pobre Srta Evelyn pensou o Dr Fritz enquanto esperava na varanda do castelo pela carruagem que o levaria para a casa. O Castelo do Conde Heiselmann era muito afastado da cidade e ficava próximo demais da floresta, oque deixava o Dr Fritz desconfortável a aquela hora da madrugada. A chuva continuava forte e impiedosa.
A onde essa moça foi se meter? O Dr Fritz passou a mão pelo pescoço nervosamente.
***
O conde voltou para seus aposentos, o ódio crescia dentro de si. Inconformado, sim era essa a palavra que ele procurava para expressar oque sentia. Durante anos tinha desejado um herdeiro, durante anos sonhou com a prole que o acompanharia durante sua existência. Quando finalmente havia realizado tal sonho, a imprestável da Srta Evelyn o destroçou dando-lhe uma fêmea. Oque ele faria com uma fêmea?
Consternado, o conde sentou-se ao imenso órgão e deixou que seu ódio fluísse através das notas que seus dedos tocavam incessantemente.
***
- não, eu preciso ir embora – dizia a Srta Evelyn aos berros
- A Srta precisa descansar, não pode sair agora – uma das serviçais tentava acalmá-la
- você não entende – a voz da Srta Evelyn estava rouca, seus olhos fundos. Sua aparência era de alguém que precisava muito descansar. – ele vai ficar furioso comigo
- Mas porque Srta? – perguntou a mulher
- porque eu lhe dei uma menina – a voz da Srta Evelyn foi enfraquecendo e ela então desmaiou.
Que coisa estranha de se dizer pensou a mulher arrumando os travesseiros da Srta Evelyn e a cobrindo com uma colcha. Ela tocou a testa da jovem para ver se não estava com febre, era muito natural as mulheres tenderem a ter febre depois do parto. Ainda mais depois de um parto como aquele.
Antes de sair do quarto a mulher olhou a linda bebê que dormia profundamente no enorme berço de ouro encomendado pelo conde.
- é claro que seu pai vai amar você – sussurrou a mulher para a bebêzinha
***
Já passavam das três da manhã quando o Conde Heiselmann deixou seu órgão.
A fome o consumia, queimando suas veias e o ódio que sentia só a fazia crescer ainda mais.
Ele caminhava pelos corredores do castelo, lentamente se dirigia a ala das criados, sua boca seca o irritava. Foi quando ouviu um choro de bebê. Fechou as mãos em punhos grunhindo e a passadas largas irrompeu pela escada se dirigindo ao quarto onde a Srta Evelyn repousava.
Quando entrou no quarto viu a Srta Evelyn de pé em frente ao berço, com a bebê nos braços e uma trouxa de roupas.
- oque pensa que está fazendo? – gritou o conde irado
A Srta Evelyn deu um grito assustada e meio sem jeito tentou esconder a trouxa de roupas que carregava atrás do corpo.
- você me assustou – disse ela, a voz rouca. Estava aparentemente cansada.
- oque pensa que esta fazendo? – perguntou o conde novamente agora se aproximando dela
- nada – a Srta Evelyn tentou disfarçar o medo em sua voz – eu só estava..
Ela não terminou a frase.
O conde a olhou dos pés a cabeça, estava suja, despenteada, deplorável.
Ele então olhou para a criança em seus braços com nojo.
- como pode fazer isso comigo? – perguntou ele com as mãos em punho
- senhor? – A Srta Evelyn não compreendia oque ele dizia
- eu não fui bom para você? – perguntou o conde – seu único dever era me dar um herdeiro
- senhor, foi isso que eu fiz..
O conde lhe estapeou a face com fúria.
- não ouse me responder
A Srta Evelyn abaixou o rosto para o chão contendo as lágrimas.
- me perdoe meu senhor
- perdoá-la? – O conde rio - por me dar uma fêmea? Ou por tentar roubá-la na calada da noite?
A Srta Evelyn o encarou horrorizada – eu não estava..
Outro golpe lhe atingiu o rosto
- Lüge – gritou o conde – alles lüge
- me perdoe meu senhor – pediu a Srta Evelyn – eu farei qualquer coisa para lhe compensar
O conde rio
- você não tem mais serventia para mim
Ela o olhou com olhos arregalados, sentiu o sangue fugir de sua face.
O conde se aproximou lentamente tomando a criança de seus braços sem se quer olhar para nenhuma das duas. Ele colocou o bebê de volta ao berço.
- senhor por favor – implorou a Srta Evelyn – não tire minha filha de mim
- nein – disse ele sorrindo friamente – pensando melhor, você ainda tem uma serventia
Num movimento rápido o conde tapou a boca da Srta Evelyn e com a outra mão puxou seus cabelos deixando-lhe o pescoço a mostra. Ele respirou profundamente sentindo o cheiro apetitoso do medo que transbordava pelos poros da jovem e então a mordeu.
Os dentes afiados do conde Heiselmann perfuravam seu pescoço, rasgando-lhe a carne.
A Srta Evelyn horrorizada tentou se desvencilhar dos braços do conde, mas ele era forte demais. Com desespero tentou gritar mas lhe havia tapado a boca.
Com forme o sangue lhe era tirado aos pouco sentiu sua vida se esvaindo e lentamente caiu inconsciente nos braços daquele cujo um dia chegou acreditar que a amava.
Quando a última gota de sangue da Srta Evelyn desceu por sua garganta o conde se sentiu finalmente saciado. O corpo da mulher jazia em seus braços.ele a jogou na cama enojado.
Limpou os lábios na manga de sua camisa e, uma vez que a fome havia acalmado, se sentiu mais calmo e se permitiu finalmente olhar para a criança que jazia deitada no berço em silencio.
Ao admirar o bebê sentiu algo em seu coração que há séculos não sentia. Calor.
Ao todo não foi tão ruim pensou o conde. Afagou o rosto da criança que adormeceu novamente
- Sharon – disse ele – você vai se chamar Sharon, um nome digno de uma princesa.
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